OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA
Por Mauricio R. de Souza.
Muito se tem falado sobre os imensos problemas enfrentados pela educação pública no Brasil. Fala-se, principalmente, que a mesma deixa muito a desejar na qualidade do ensino, ou seja, que as nossas crianças e adolescentes aprendem muito pouco ou quase nada do conteúdo básico que a escola deve ter. E aí fica a questão: a culpa é de quem? Alguns culpam os alunos pela falta de interesse, outros os professores, outros culpam os pais por acharem que não dão a atenção necessária ao seus filhos, outros os políticos por só valorizarem a educação na teoria mas não na prática.
Mas antes de apontarmos culpados precisamos refletir um pouco. Primeiro, pensarmos porque que a educação pública de antigamente era considerada bem melhor do que a de hoje em dia. Será que a educação pública brasileira está em decadência? Na verdade, o que temos é um histórico elitista da educação nacional. Antigamente, nas décadas de 1940, 1950 e 1960, os pobres eram praticamente excluídos da educação (que era em grande parte pública). Portanto, nas escolas estaduais e municipais estudavam, em sua grande maioria, os filhos das classes médias. Só para se ter uma idéia, até meados do século passado, metade dos brasileiros era analfabeta.
A partir da década de 1970, essa vergonha nacional trazia sérios problemas para o Brasil, desde as cobranças externas até a necessidade urgente de melhorar a qualidade da mão-de-obra numa época em que o Brasil era um dos países que mais se desenvolvia industrialmente (gerando, portanto, a necessidade de trabalhadores mais instruídos para acompanhar os avanços tecnológicos advindos com a modernização da produção brasileira).
Agora a escola pública não poderia mais ser um espaço apenas da classe média, teria então que englobar todos. Mas o problema todo não é que o pobre seja mais incapaz do que uma pessoa da classe média. Mas sim, que desigualdade social (que não está restrita somente a questão da renda) havia provocado uma grande dificuldade dos mais pobres ao acesso ao conhecimento formal (o escolar), a leitura e uma cultura eclética (que harmoniza diferentes formas de saberes culturais).
A grande maioria dos país dos jovens pobres eram analfabetos ou semi-analfabetos, em suas casa não haviam livros, jornais, revistas e outras formas de incentivo a leitura e ao conhecimento. Para piorar, o Brasil começava na década de 1970 a tentar democratizar o ensino, procurando colocar todos na escola, ao mesmo tempo em que (por causa da modernização e do crescimento econômico) a população tinha acesso cada vez mais ao consumo de determinados bens de consumo domésticos, em destaque a televisão.
Assim, diferente de muitos países, a televisão ganhou espaço no Brasil ao mesmo tempo em que se expandia o acesso a educação escolar. Agora imaginem, se não havia no país uma tradição em relação a leitura como uma forma de lazer e, se a televisão aparecia como um meio de diversão para muitos, de onde vira o gosto dos jovens pela leitura? Que exemplos teriam esses jovens de pessoas que tinham prazer ao abrir um livro, se as pessoas em sua volta ao invés de se deliciarem com alguma obra escrita ficavam horas em frente a TV?
Não é atoa que hoje em dia todos os especialistas em educação são unânimes: é preciso incentivar nos jovens o gosto pela leitura, senão do contrário é impossível termos uma educação de qualidade.
Mas existe educação pública de qualidade no Brasil? Sim, podemos citar como exemplo o colégio Pedro II (federal), que vem figurando nos processos de avaliação de rendimento escolar como uma das melhores escolas do Brasil. Mas por que isso ocorre? Um dos principais motivos diz respeito ao processo de seleção. Somente estudam na escola os estudantes que melhor avaliados foram nas provas aplicadas para o ingresso no colégio.
Até mesmo nas melhores escolas particulares ocorre algo semelhante. Há uma certa seleção de estudantes na hora do ingresso. E não pensem que o problema da educação está restrito as escolas públicas. Afinal de contas a grande maioria das escolas particulares também enfrenta problemas semelhantes. De um modo geral, a educação brasileira, tanto pública como particular enfrenta problemas seríssimos. O Brasil passa vexame quando comparado com outros países em relação a qualidade da educação. Muitas escolas particulares sofrem, conforme as públicas, com falta de infra-estrutura adequada (bibliotecas, computadores e etc), possuindo péssimos rendimentos escolares.
Finalizando, o grande desafio da educação brasileira é ser democrática e de qualidade. Antigamente era de qualidade, mas não democrática, hoje é democrática mas não é de qualidade. Dessa forma, a educação acaba continuando elitista, ou seja, somente poucos obtém um ensino de bom nível que os possibilitem enfrentar melhor o mercado de trabalho e adquirir um conhecimento universal, fundamentais num mundo cada vez mais globalizado.
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