segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

APENAS UMA CRÔNICA, NADA MAIS

APENAS UMA CRÔNICA, NADA MAIS
Por Mauricio R. de Souza

Dezembro, finalzinho do ano, a apenas poucos dias de fecharmos o ano de 2009, paro e penso: o que escrever no meu blog? Assunto não falta, ainda mais para um blog que pretende ser amplo em discussões políticas, históricas e sociológicas. Mas no fim decidi: vou mesmo é escrever uma crônica, relato, desabafo, sei lá, o que vier a minha cabeça.
Vou começar falando do blog em si. Como todos já sabem (até parece que tem muita gente que lê meus escritos) eu criei um blog destinado principalmente aos alunos do ensino básico da rede pública (que pretensão, se apenas um ou outro aluno meu o lê eu já faço festa atualmente), uma espécie de ferramenta de ensino não-formal. Porém, qualquer um será muito bem-vindo. Afinal de contas, quem escreve um blog, o escreve com a intenção de que outros o leiam. É verdade que o nome do blog é meio chato. “BlogdoProfMauricio”. Confesso que às vezes tenho até vergonha de anunciá-lo. Tanta gente escreve blog com nomes mais descolados. Ainda mais se o blog tem como público alvo jovens e adolescentes.
Mais pensei bem e vi: como que os meus alunos me conhecem? Como professor Mauricio. Podem me ver na praia, jogando bola, indo a um show de rock, se me encontrarem vão falar: E aí professor Mauricio, como vai? Bem..., quem é professor deve entender o que eu estou falando. Daí o nome do blog. Uma questão de identidade.
O engraçado é que me julgo um cara progressista, de esquerda, e no final faço um blog com um nome que soa um ar conservador. Mas já vi tanta coisa que parece descolada se transformar em pilares de conservadorismos. E quer coisa mais conservadora do que moda. Na época da França pré-revolucionária do século XVIII, a nobreza cortesã (que vivia no palácio em torno do rei) para conservar seu status perante a sociedade, mudava seu vestuário como forma de se diferenciar da burguesia em ascensão que comprava títulos nobiliárquicos. Quando essa nobreza de toga (burgueses ricos que compravam títulos de nobreza) tentava se parecer com a nobreza cortesã através das vestimentas, logo a nobreza palaciana mudava o estilo de suas vestimentas para se diferenciar. Ou seja, mudava para conservar o caráter conservador do seu status.
O tempo passou, a burguesia tomou o poder na França e se tornou no século XIX economicamente e ideologicamente hegemônica. Hoje em dia a moda é um dos pilares mais conservadores da ideologia capitalista. A todo o tempo somos incentivados a consumir cada vez mais, a trocar o carro por um modelo mais novo, a trocar o celular, a trocar a bermuda, a camiseta, o biquíni, a sunga, tudo, para sempre estarmos na moda. Quem não tem recursos financeiros para andar na moda e encher os bolsos dos empresários, acaba se sentindo inferiorizado. Nessa sociedade que cultua o individualismo no lugar do coletivo, as pessoas muitas vezes para parecerem “descoladas” ajudam a conservar as diferenças sociais ao buscarem cada um por si aparentar um certo status social daquilo que podem comprar e exibir. Sempre na moda. Na lógica da sociedade capitalista, como diria Oscar Wilde (grande dramaturgo e romancista inglês do final do século XIX) “o homem passou a achar que o importante era ter, e não viu que o importante era ser”.
É verdade que ainda é muito comum na nossa sociedade encontrarmos pessoas que apesar de abraçarem com gana a lógica do consumismo, ainda assim, são pessoas solidárias, com espírito coletivo entre outras virtudes. Até acredito que sejam maioria na sociedade. É o caso, por exemplo, de alguns conhecidos meus. Tão sempre me mostrando seus celulares de última geração, tirando onda com aquele tênis importado que dizem que é “show de bola”, e pros mais bem de situação, aquele carro cheio de parafernálias que eu não sei nem pra que servem (talvez nem eles).
Bem, não estou querendo fazer papel de santo, de franciscano, de alguém que faz votos de pobreza, até porque estou muito longe disso e também não quero ser assim. Mas convenhamos, sair consumindo por consumir só pra ficar na moda é mais conservador e chato do que o nome do meu blog. Vocês não acham?

Um comentário:

  1. Valeu Camarada... grande texto. E o nome é indiferente e, te digo: eu sou mais lido no Jornal Tribuna das Cidades que no blog.. Viva os impressos, até alimenta o dono da marca, comentam diretamente comigo e no blog? Neca de pitibiriba...

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