
PROTESTO EM ATENAS CONTRA O GOVERNO
A CRISE CAPITALISTA: OS PAÍSES RICOS
E A SITUAÇÃO DOS EMERGENTES
Grécia, 2011, dezenas de milhares de pessoas nas ruas. O motivo, as draconianas medidas do governo do primeiro-ministro George Papandreu. Entre as medidas estão os cortes nos salários dos trabalhadores, demissão de funcionários públicos, corte nas aposentadorias e pensões e em vários benefícios sociais. Tudo isso para atender as exigências do mercado, diga-se, dos grandes banqueiros internacionais (principalmente os franceses e alemães).
As pressões populares enfraqueceram Papandreu. Mas, o mercado, representado pelo Banco Central Europeu, pelo FMI e pelos governos da França e da Alemanha, não pararam de pressionar Papandreu, pois consideravam que as suas medidas contra o povo grego ainda não eram suficientes, queriam mais, queriam o suor e o sangue dos trabalhadores para que tentassem fazer o impossível: pagar o enorme montante de juros aos grandes bancos.
O grandes capitalistas e especuladores internacionais que haviam investido na Grécia miraram então suas armas contra a democracia. Impuseram como condição para o governo grego receber empréstimos do BC europeu e do FMI, ter um governo totalmente atrelado ao mercado e que não se importasse com sua popularidade. Para tanto, era preciso um representante capitalista no poder, e que não fosse um político preocupado com o clamor das ruas. Resultado: queda em novembro de 2011 de Papandreu seguida da posse de Loukas Papademos, um ex-banqueiro afinado com as teorias neoliberais.
A Grécia foi o quinto país a trocar de primeiro-ministro desde que a crise capitalista se alastrou no chamado mundo rico. Pouco depois, a Itália também foi colocada sob suspeita de não poder pagar a sua dívida. O primeiro-ministro italiano, que é um conservador e um dos maiores capitalistas do país, também caiu como consequência da crise. No seu lugar entra Mario Monti, um acadêmico que caiu nas graças do mercado e que assumiu com a missão de arroxar a população para tranquilizar os grandes especuladores.
Em Portugal, que está muito próximo da situação grega, trabalhadores entram em greve geral. Na Espanha, a crise faz com que o desemprego atinja níveis estratosféricos (20% da população, sendo entre os jovens índices que alcançam 50%). Do outro lado do Atlântico, os EUA pela primeira vez na sua história tem rebaixado o seu grau de confiança no mercado. O governo Obama desvaloriza o dólar e implementa uma série de medidas para tentar provar que a maior economia do planeta iria honrar com suas dívidas.
Porém, o que as pessoas parecem não perceber é que as medidas neoliberais que retiraram direitos históricos de trabalhadores nos países emergentes, e que também levaram esses países a pouco mais de uma década, a passarem por crises econômicas e sociais terríveis, está no centro da atual crise global. Depois muito sufoco, esses países começam a sair da crise e ensaiam, aparentemente, um crescimento econômico considerável e uma relativa melhora no seu quadro social. Mas grande parte dessa melhora tem a ver com a fuga de muitas empresas para o mundo emergente na busca de mão-de-obra mais barata e de mais liberdade econômica. Também contribuiu, o crescimento de importantes mercados asiáticos, principalmente o chinês, que impulsionaram as exportações, principalmente de commodities, no mundo emergente. Mas o que poderá ocorrer com os países emergentes após os trabalhadores do mundo rico perderem direitos e terem os seus salários reduzidos? Ora, é sabido que os países ricos ainda possuem mais tecnologia, know-how e uma mão-de-obra mais instruída. A dobradinha custo de mão-de-obra mais barata com mais liberdade de mercado somadas as outras vantagens para o capital citadas acima, tenderão a fazer com que o fluxo agora seja inverso, ou seja, que empresas e capitais saiam do mundo emergente e vão para as nações mais industrializadas. Resultado? Bem, vocês já podem imaginar, crise política, econômica e social nas nações emergentes. Concluindo, o sistema capitalista suga os trabalhadores em todo o planeta, e em nome da chamada competitividade global, governos são cada vez mais levados a rezar a cartilha do mercado.
Mauricio R. de Souza
Mestre em História Social pela UERJ
Professor de História do ensino fundamental da Prefeitura do Rio de Janeiro
Professor de História do Ensino Médio da FAETEC